SITUAÇÃO E SOLUÇÃO
Artigo de Curtis Yarvin sobre o segundo mandato de Trump e como a Direita deve tomar o poder
Tudo parece claro agora: a segunda administração Trump é uma tragédia. Falemos sobre o que isso significa, e o que pode ser feito.
Uma tragédia não é um show merda qualquer. Uma tragédia é um arco de história formal. As leis da tragédia são estritas. Não basta perder. Perder não é trágico — a menos que você pudesse ter ganhado.
Perder por acidente sequer é tragédia. A tragédia deve ser inevitável. A derrota deve proceder de uma falha trágica, etc. Todas as regras padrão.
Uma tragédia requer heróis e jornadas heroicas. Todos que conhecem alguma coisa sobre a administração Trump sabem que, na maior parte, é formada por pessoas reais que passaram boa parte de sua adolescência e/ou juventude sendo perseguidos — socialmente, profissionalmente, e alguns até oficialmente - por ousarem ver a realidade como ela é. Não penso que é possível estimar quantas maravilhosas pessoas trabalham na administração Trump. Os amigos que fizemos no caminho, etc.
Infelizmente! A vitória moral do herói não basta. Há heróis mortos, mas morais, em toda parte. E vilões que vivem bastante e não morrem facilmente. A vitória que precisamos é física. De fato, se eu tivesse que escolher entre uma vitória física e uma vitória moral, escolheria a física. Mas a combinação é irresistível e irreversível — e não penso que temos que escolher. Mas, infelizmente, não temos a combinação.
Podemos vencer. Mas não estamos vencendo. É uma diferença muito importante! Sei que parece estranho. Mas é a essência da tragédia.
Heróis não vencem só porque são heróis, nem vilões perdem por serem vilões. Essa é a “falácia do mundo justo” - uma versão herética e incorreta do cristianismo. Uma clássica falha trágica!
Na verdade, pode-se dizer que todas as nossas derrotas e falhas procedem do simples erro teológico de que “Deus cura tudo”. Se essa asserção infundada é mais errada como teologia cristã ou ateísmo racionalista, é difícil de dizer. Nada é mais claro na vida, ou na história, ou na teologia, do que “Deus ajuda aqueles que se ajudam”.
Estamos realmente perdendo? Onde estamos agora? Detesto dizer isso, mas parece que a administração já perdeu. Dito isso: muitos já descartaram Donald Trump. Não quero ser mais um. Mas —
A SITUAÇÃO
A energia que a administração tinha era de Rubicão - e havia potencial de combinar essa energia com ação. Essa energia só pôde existir durante o período de transição. Agora que a administração se estabilizou e se integrou, consumando seu estranho casamento com o Deep State, não há lugar para a energia de Rubicão. O Senado, uma antena sintonizada na próxima eleição ao invés da última, é cada vez mais insolente.
A administração falhou, coletivamente, em perceber que: A - o excitamento do potencial de mudança real explica como toda aquela energia política foi gerada, e B - a energia seria drenada se a ofensiva fosse parada. A energia de Rubicão dificilmente voltará - é muito mais difícil do que da primeira vez. A única coisa que pode fazê-la retornar é algum tipo de conflito ou crise.
Assim que perder alguma das casas nas midterms, (80% de chance de isso acontecer), a administração estará permanentemente na defensiva. Nesse ponto, o Rubicão está longe do alcance e qualquer menção será posta como insanidade ou conspiração criminosa. Nixon poderia, talvez, ter esmagado o New Deal em 1969, ou mesmo em 1973 - mas jamais em 1974.
Uma mudança de regime, como um tubarão, não pode parar. Não pode dar trégua. Se fizer X essa semana, chocando a todos, deve fazer duas vezes mais na próxima semana. Terror e tremor é uma droga. Todas as drogas criam tolerância. Uma revolução só é bem-sucedida quando responde a qualquer nível de tolerância ao dobrar a dose, mantendo o senso de surpresa - até se tornar claro que nenhum caminho levará ao velho regime, ou mesmo ao velho estilo de vida, não restando nada do antigo.
O velho estilo de vida! Sim: em uma verdadeira mudança de regime, a vida de todos muda. O evento que parecia impossível de acontecer será visto como inevitável em retrospecto: exatamente como a queda da URSS.
Como podemos dizer se é uma mudança real de regime? Muitos pais experienciam esse tipo de incerteza no período peripartum. Se sua mulher acorda e diz “acho que minha bolsa estourou”, então a bolsa não estourou. Se ela acorda e diz “minha bolsa estourou”, coloque-a no carro e vá direto ao hospital.
Se você tem que perguntar, então não é real. Aqui vai uma ilustração de um estranho país estrangeiro.
O Reino Unido está em uma situação política sem precedentes na história. Em 2029, se olhar para as pesquisas eleitorais, o Labour deixará de existir, e Nigel Farage terá supermaioria com poderes plenos no Parlamento - essencialmente os poderes de Mussolini. “O Parlamento pode fazer tudo”, diz uma velha máxima inglesa, “menos tornar uma mulher em homem, e um homem em mulher”. Não estou brincando. Eles dizem isso.
Para o bem ou para o mal, o século XXI eliminou essa exceção - significando que o Parlamento é 100% soberano. É a definição schimittiana de exceção. No papel. É claro, o Rei ainda mantém a exceção schimittiana, ou “prerrogativa real” — legalmente, ele pode fazer tudo. No papel. Por costume, ele não faz coisa alguma. Para americanos: não estou inventando nada disso. Quanto ao Parlamento — por costume —
A realização de que não somente o Parlamento, ou o Parlamento atual, mas a democracia representativa em si, como muitos outros poderes na história, desde o Rei da Inglaterra até os cidadãos de Roma, perderam sua soberania para o bem - me veio à mente quando um jovem rapaz brilhante, que, como muitos jovens rapazes brilhantes, aspira a integrar essa Inglaterra Nigeliana, brilhante embora distante, falava comigo sobre reforma estrutural na política social do Reino Unido.
Observei um fato simples e óbvio: o problema não é somente que o Reino Unido é um bizarro Estado internacional-socialista do século XX. Quero dizer. Até é. Mas também: a forma com que esse canceroso Estado panssexual colorido e pós-comunista, que se pinta como “O Governo de Sua Majestade”, entrega seus “benefícios sociais” aos “britânicos”, é uma imagem perfeita de desgoverno.
Veja bem: a Inglaterra (esquecendo a devolução — eu nem consigo) não é uma grande comunidade autogovernada. Oh, não! É um jardim florescente de democracia, no qual cada aconchegante vilarejo tem seus anciãos municipais, seus principais comerciantes, seus poetas e seus dramaturgos e, claro, o seu próprio pequeno Parlamento desses dignitários — que se chama “conselho”. Se você já esteve do lado errado de Londres, fora da chamada Banana, pode esperar ver as encantadoras novas vilas erguidas, para os britânicos, por seus sábios e amados conselheiros. Vê-se Elrond, em Valfenda, de manto, supervisionando até os arabescos dos beirais. (Nem todos os benefícios são entregues localmente — o NHS é uma coisa —, mas muitos são, inclusive a habitação de imigrantes. Evidentemente, rejeitá-los não é uma opção.)
Infelizmente, esses Conselhos são o que nós Ianques chamamos de “projetos” - uma palavra que por si só esperançosa, futurista e científica do século XX. Lmao. Evacuem todos os humanos e seus animais, e então queimem tudo. Se alguém reclamar da fumaça, lembrem de onde vem. Sugira que ele não respire até terça-feira. Ele talvez continue a reclamar - provavelmente é um arquiteto ou sociólogo. Prenda-o, então.
Quando “serviços sociais” significavam a Lei Elisabetana dos Pobres (uma legislação bastante prudente e caridosa, devo dizer), e os serviços sociais eram prestados por uma igreja estabelecida e universal (a ideia mais óbvia da ciência política), mantê-los no âmbito local fazia sentido. À medida que o transporte aboliu não apenas a geografia, mas também a comunidade, deixando os rótulos no mapa como meros — rótulos no mapa, qualquer noção de governo local torna-se atrofiada. A única exceção possível são comunidades étnicas homogêneas — “segregação”, um conceito odiado pelo regime, embora muito difícil de erradicar.
E, na verdade, a política dos conselhos não é de modo algum democrática, porque tudo é definido por mandatos de Whitehall. Tampouco ela é realmente implementada localmente, pelo que entendo — mas por gigantescos contratantes nacionais. Tudo nesse sistema de “conselhos” é falso e larp. Sua única função é anestesiar quaisquer ingleses que ainda permaneçam no país, levando-os de algum modo a acreditar que ele ainda opera o sistema de seus antepassados.
Obviamente, o primeiro-ministro Farage deveria simplesmente acabar com tudo isso e consolidar o sistema numa autoridade central, conselheiros e tudo mais. Que então poderia, sabe, ser reformada. Se alguém reclamar, o que Nigel fará? Se forem barulhentos, ele pode colocar AirPods. Se forem violentos, podem ser violentos em Santa Helena. Ouvi dizer que é um lugar encantador. Soberania é uma coisa bela.
Como alguém reformaria esse polvo espraiado e fraudulento de “serviços de conselho”? Apontei isso ao jovem rapaz. Ele concordou entusiasticamente. Claro. Então perguntou se eu tinha alguma percepção sobre reforma estrutural na política social do Reino Unido. Infelizmente, não tinha.
Para um jovem cavalheiro inglês treinado na melhor tradição mandarim inglesa, abolir os “conselhos” num regime do Generalíssimo Farage em 2029 parece tão plausível quanto alugar o Palácio de Buckingham para filmar um pornô. Para um americano, isso parece óbvio. Qual de nós está vendo com clareza? É mais fácil imaginar uma mudança de regime em um país estrangeiro, porque sua cabeça não está saturada pela realidade do presente. Me parece óbvio.
O mundo não é plano e você não é inglês. Você é americano. Como corrigir o equivalente americano desse campo de distorção da realidade e saber se uma mudança de regime é uma mudança real de regime?
Infelizmente, é muito difícil definir um teste positivo eficaz para uma transição de poder, porque há muitas maneiras de o poder se camuflar em ilusões. Mas, se reformas estruturais óbvias não são realizadas simplesmente por inércia estrutural, provavelmente você não trouxe poder suficiente para a mesa. Portanto, é fácil definir um teste negativo — basta traduzir essa ilustração dos “conselhos” para o contexto americano.
Aqui vai uma forma de saber que não houve mudança de regime: ainda existem 50 DMVs.
Ainda existem 50 DMVs? Há alguma razão, além da história, para que precisem existir 50 DMVs? Os estados são realmente os “laboratórios da democracia”? Em… veículos automotores? Existe um “jeito do Arkansas de dirigir”? (Não responda.) Não? Tudo não? Então você não teve uma verdadeira mudança de regime. Volte a dormir. Nothing ever happens.
Se você ainda se apega a qualquer tipo de “mas na verdade precisam existir meus 50 DMVs”, você está racionalizando, assim como aquele pobre rapaz inglês. Você simplesmente não trouxe poder suficiente. Tristemente, mudança de regime é como alcançar a órbita — mesmo que você tenha trazido 99% do poder necessário, acabou pra você. Literalmente!
Numa mudança de regime americana: pegue a versão americana desse kabuki de “conselhos” à la Elrond — chapéus tricórnios, Davy Crockett ou Harriet Tubman, Declaração, Constituição, até mesmo a antiga e sagrada Lei de Procedimento Administrativo de 1946 — e trate tudo como um aborto espontâneo no Arkansas. Jogue o saco plástico para fora pelo teto solar. Os gambás chegam primeiro.
Apenas presuma a venda e aja com a energia de um exército de ocupação. Nacionalize e racionalize. Alimente as velhas fitas magnéticas na Palantir. Aposente os servidores de carreira. Deixe Jared cuidar das terras e dos prédios. Imagine um novo DMV nacional administrado como uma startup da YC. Sua carteira de motorista é nacional e tem uma chave pública. Imagine tudo em Washington funcionando assim. Tipo, nível Estônia. Ou até melhor que a Estônia. O que há entre nós e isso, caros apreciadores de carros?
Nada além de alguns milhões de burocratas liberais — que poderiam estar aproveitando o sol em Cuba. Numa mudança de regime real, é tudo win-win. O verdadeiro segredo da mudança de regime é este: depois que você vence, os membros do antigo regime tornam-se inofensivos. Individual ou coletivamente. Até os militares. Na verdade, muitas vezes eles não são apenas inofensivos, mas úteis. Só não os mantenha em seus antigos cargos — nem sequer em seus antigos campos.
Além disso, aceitar os compromissos reais que o Estado assumiu com seus servidores, que não tiveram culpa por servir a um regime diferente que já não existe, é aceitar o manto da continuidade do Estado. É possível mudar o regime e repudiar alguns ou todos os compromissos do regime anterior, mas isso geralmente não é sábio. Um clima bolchevique.
É melhor ver a mudança de regime como uma aquisição. Para os servidores bem-sucedidos do antigo regime, dentro ou fora do governo formal, seus antigos cargos tinham status e valor. Eram ao mesmo tempo patentes nobres e fontes de renda. Eles passaram a carreira construindo essa patente e esse contracheque. Simplesmente apagar essas coisas é uma injustiça inútil.
Os melhores devem ser reconhecidos e compensados. As organizações, “públicas” ou “privadas”, devem ser dissolvidas, como qualquer empresa morta. O experimento de colocar novos políticos “no comando” de antigas agências, com seus velhos procedimentos e pessoal, está encerrado. Só os iludidos esperavam que isso funcionasse.
Chega dessas fantasias! Voltemos à realidade sombria. A mais sombria e trágica de todas é que nós realmente chegamos a ter um vislumbre desse futuro. No inverno e no início da primavera de 2025, vimos o potencial de uma mudança verdadeira e absoluta em pequenos lampejos de realidade energética. Agências e programas foram varridos. Washington nunca tinha visto nada parecido! Pelo menos, não desde antes da guerra.
Embora, mesmo medida por efetivo, essa destruição não tenha chegado a um décimo do Estado administrativo como um todo, muito menos do regime inteiro, não foi nada desprezível. Houve “luta, ferro, vulcões”. Lasca ósseas reais estavam se desprendendo do velho dinossauro. Foi empolgante — e essa empolgação, muito mais do que qualquer resultado tangível (até mesmo fechar a fronteira), foi a verdadeira conquista.
O ciclo estava funcionando: a energia gerava poder, que gerava dano, que gerava energia. Infelizmente, não parece restar muito dessa energia de choque e pavor — e, durante o tempo em que existiu, ela realizou 0,001% de uma mudança de regime. Além disso, teve de avançar sob o pretexto narrativo padrão de “economizar o dinheiro do contribuinte” — um pretexto no qual às vezes até acreditava. O regime do dinheiro fácil é um desastre financeiro contínuo que passou o último século apodrecendo os Estados Unidos. Mas você não vai consertar isso “cortando gastos”.
Governar bem — mesmo as maiores e mais reais “vitórias não é uma vitória mensurável. Pelo menos, não é inerentemente uma vitória. Nenhuma mudança substantiva possível é significativa. Você pode achar que é, mas isso só acontece porque você está olhando por um microscópio. A finalidade desse microscópio é persuadi-lo de que você não precisa fazer nada.
Um exemplo: imigração. O governo Trump fez mudanças na política imigratória americana que levaram a um delta de milhões de migrações. Substituir um influxo humano líquido na casa dos sete dígitos por um efluxo humano líquido também na casa dos sete dígitos parece bem real. E é. Parece que importa. Não importa! É significativo apenas de modo relativo, narrativo, microscópico.
Porque: quanto poder essa vasta expulsão de massa humana realmente gera? No nível central da ciência política, gerar poder significa: você fez algo que tornou algumas, ou idealmente todas, as coisas futuras mais fáceis de fazer. No caminho real para o poder, os problemas reais são aqueles cujas soluções tornam todos os problemas futuros mais fáceis de resolver.
No contexto de uma estratégia política de curto prazo, apenas mudanças no poder de curto prazo são significativas. Quantos votos a menos os democratas receberão nas midterms de 2026 por causa desse feito na imigração? E dos outros feitos de Trump?
Muito poucos, suspeito. Se algum. E clipes de teatro de crueldade do ICE são ótima propaganda para o inimigo. Todo governo é crueldade, se você olhar de perto o bastante — mas esse microscópio também é uma armadilha. E a internet é um grande microscópio.
Mudanças no poder de longo prazo também importam — e os imigrantes, embora em geral não votem, criam futuros eleitores. Foi assim que eles conseguiram a Califórnia. A “maioria democrata emergente”. Mas os números de Trump, em um contexto absoluto e de longo prazo, são minúsculos. Os EUA ainda não viram imigração de massa de verdade — nem reimigração em massa.
A louca política de fronteiras abertas de Biden, com suas trilhas humanas serpenteando pelo Estreito de Darién a partir de todas as colmeias do planeta, está fechada. Viva! Ela pode ser reaberta com a mesma facilidade. Na verdade, pode ser aberta muito mais. E, se perdermos de novo, será. Basta um juiz decidir que “nenhuma pessoa é ilegal” — e esta está longe de ser a única maneira burocrática de esfolar esse gato. O sintoma nem sequer foi curado de forma duradoura. Continua sendo um fracasso.
A fronteira não é a única coisa que será aberta muito mais, se você teve algo a ver com essa pequena revolução fracassada. Eles processarão todo mundo, por qualquer coisa. Tratarão os nomeados de Trump como invasores do 6 de janeiro. Mesmo que você tenha ocupado algum cargo cultural ou científico obscuro. E quem sabe se estariam errados?
De fato, ouço cada vez mais sobre corrupção real, explícita, dentro da administração. Tenho certeza de que não chega nem perto dos níveis de Biden ou mesmo de Clinton — mas eles conseguem se safar disso e nós não. E, embora Clinton fosse melhor nisso do que Biden, ele não era tão melhor quanto Biden é melhor do que Trump. Corrupção não é apenas o governo perder dinheiro, mas também degradar o tecido legal — portanto, quanto menos ostensiva, melhor.
E para quê? Para qualquer perspectiva de vitória, seja ela qual for? A decisão fundamental da administração de andar apenas entre as cordas de veludo foi tomada muito antes de Trump ser empossado, ou mesmo eleito. Embora provavelmente sempre tenha sido insignificante, a capacidade da administração de realmente capturar Washington recuou literalmente hora a hora após a posse.
Mesmo em outubro, Trump poderia ter usado o shutdown para assumir o controle do FED, afirmando o forte argumento jurídico de que o Humphrey’s Executor foi decidido erroneamente, questão já perante a Corte. Constitucionalmente, o Presidente tem autoridade unilateral de comando sobre todo o Poder Executivo. Ele poderia usar esse poder para financiar o governo diretamente a partir do FED, por exemplo cunhando a “moeda de um trilhão de dólares”. A ideia de que o Congresso pode criar ou administrar agências executivas é uma farsa. “Leis” que infringem a discricionariedade executiva normal do Presidente não são leis de modo algum.
Isso tornaria simples abandonar o projeto gordiano de reformar as agências da maneira mais simples possível: criando novas. Que é mais ou menos o que FDR fez. Quando o Congresso percebesse que seu shutdown era, na verdade, uma nota de suicídio, e restaurasse o financiamento do Tesouro ao velho “Executivo” — na realidade um ramo administrativo/Legislativo — o novo Poder Executivo já estaria funcionando plenamente. E o antigo já estaria definhando, com a videira cortada.
Em vez disso, o acordo do shutdown reverteu todas as reduções de pessoal impostas pelo OMB. Esse foi o fim da revolução. Um ano antes das midterms, o Capitólio já detém a mão forte em Washington. Como dizem os russos: “esperávamos que fosse diferente, mas acabou como sempre”.
O Trump de choque e pavor do último inverno já desapareceu. A administração está simplesmente integrada demais ao governo permanente. Esse casamento é terrível, mas ainda é um casamento. As janelas que Trump estaria quebrando agora são “as dele próprias”. É por isso que ações existenciais só são possíveis no início de um mandato presidencial. Dito isso, não seria a primeira vez que Donald Trump faz o impossível. Mas —
A falha trágica de Trump é puramente shakespeariana. É o oposto das acusações que constantemente lhe lançam. Trump não quer, de fato, o poder total. Pelo contrário, ele tem medo dele. E não é só ele. Ele é, na verdade, muito menos temeroso do que as pessoas ao seu redor.
E quem não teria medo? Quase todo mundo. E a maior parte do resto são tolos. Você deveria ter medo do poder da mesma forma que teria medo de andar de moto — se nunca tivesse andado de moto ou sequer lido algo a respeito. Trump está realmente pilotando uma moto, e a velocidades sem precedentes. Ele concentra sua energia em não cair, não em desejar ter mais potência na traseira da moto.
Além disso, Trump não pode querer poder absoluto. Seus eleitores não querem lhe conceder poder absoluto. Em última instância, ele trabalha para eles.
Ademais, não é que os eleitores sequer queiram poder absoluto para si mesmos. Eles não têm ciúme de sua autoridade soberana. Eles também têm medo dela. A falha trágica não é apenas de Trump. A falha trágica é da América.
E, ainda assim: fora o poder absoluto, todo o resto é apenas um modo de perder. É simplesmente onde estamos agora na história.
Se os Republicanos perderem a próxima eleição presidencial, Trump passará o resto da vida nos tribunais ou na prisão. O mesmo será verdade para todos os apoiadores proeminentes de Trump, nomeados, doadores, etc. Será um banquete de lawfare plenamente financiado e sem fim. Cada promotoria Democrata do país encontrará uma maneira de fazer a sua parte na limpeza das ruínas do trumpismo. Isto é, capturando e espetando com baionetas os veteranos derrotados. Certamente algo trumpista deve ter acontecido em seu distrito? MAGAs espreitam por toda parte. Será hora de cortar e esterilizar.
Os estados vermelhos americanos serão tratados como as Terras Altas da Escócia após 1745. Eu exagero. Um pouco. E quanto aos eleitores populistas americanos, toda a riqueza, poder e energia da América real, que é a América costeira, a América dos estados azuis, a América cool, será direcionada para garantir que eles nunca, jamais tenham outra chance de votar para sair dessa. E o quê diante desse futuro que se avizinha? É dezembro, um ano após a eleição, e “tornar a América grande de novo” acaba significando — a hipoteca de 50 anos. Um bom resultado do PIB. Seja lá o que for. A nova era dourada!
A energia do Rubicão não pode coexistir com a ostentação autocelebratória. É possível fazer uma revolução a partir da rua, vangloriando-se do futuro dourado. Não é possível fazer uma revolução a partir de um trono de latão, vangloriando-se do presente dourado — especialmente com um ouro tão ostensivo. No momento em que você finge ter vencido, fica preso a essa mentira.
A energia do Rubicão forneceu toda a margem de vitória que criou a administração Trump — porque a energia do Rubicão é divertida. O regime deveria se apoiar nisso, não se afastar disso. Mas eles sofrem do modo de falha típico do motociclista novato, a “fixação no alvo”. Quanto mais vento contrário sentem, mais se afastam dele — a ponto de ecoar o novo prefeito comunista de Nova York falando de “acessibilidade”.
Isso é pura mentalidade Gerald Ford. (Por que não existe um musical da Broadway sobre Gerald Ford? Gerald!) As eleições do século XXI não são sobre convencer cidadãos americanos ponderados e independentes de que Seu Novo Governo Brilhante Agora Está Fazendo um Bom Trabalho. Elas são sobre recrutar exércitos de eleitores e motivá-los a agir. À direita, vencer significa ativar eleitores de baixa propensão. À esquerda, significa colher, na melhor das hipóteses, os eleitores passivos e apolíticos.
Até mesmo o “eleitor indeciso” é volúvel e desengajado — não algum cidadão centrista, apaixonado porém ambivalente, leitor de jornais e especialista. Quem se importa com estatísticas. Produção de grãos. Ou algo assim. Esse eleitor ideal, soviético em sua pedanteria estatística, é tão insignificante que chega a ser inimaginável.
Acessibilidade! Suponho que a Alemanha Oriental também tinha um problema de “acessibilidade”. A solução não foram empréstimos baratos para comprar um Trabant. A solução foi esmagar cada instituição ou organização existente na República Democrática Alemã até virarem um fino pó cinzento, com um som mais alto que o de Deus. Pelo menos, esse foi o primeiro passo de qualquer solução concebível — para a “acessibilidade”, assim como para muitos outros problemas da política da Alemanha Oriental (sobre a qual não faltava algo de bom).
O que empolga o eleitor da Geração Z hoje? Vibes e, acima de tudo, vitória. O que desanima? Cringe e, acima de tudo, derrota.
Os republicanos já voltaram ao seu nível habitual de popularidade entre os jovens — uma boa medida de sua capacidade de gerar entusiasmo e de seu potencial de poder. Holden Bloodfeast III está de volta à sua cadeira de rodas, vendendo dispositivos infernais ao Departamento de Estado. A vida seria mais fácil, talvez até mais lucrativa, para o Congresso republicano se eles não precisassem estar na maioria. Mas o que se pode fazer? Isso será corrigido em breve, de qualquer forma.
É assim que eles vencem você. Além dos covardes declarados, traidores e vigaristas, há dois truques principais. Primeiro: eles convencem você de que você venceu, quando ainda não venceu nada. Você declara vitória e perde. Segundo: eles o acusam de algo que você precisa fazer, mas ainda não está fazendo. Você nega, e perde.
Essa cura contra o poder foi aperfeiçoada há muito tempo com a instituição da monarquia simbólica. O rei merovíngio ou hanoveriano desfrutava de todos os ornamentos da realeza, sem nenhum do poder. Eu sempre me perguntei como tantas dinastias, em tantos períodos e regiões, foram convencidas a entregar seus reinos enquanto mantinham seus tronos. A mesma coisa aconteceu com a nossa república. Aconteceu, apesar de seus melhores esforços, com o Presidente. E aconteceu com os eleitores.
A oligarquia (“meritocracia”) corneou tanto a monarquia quanto a democracia (“populismo”). Preferimos fingir que estamos no comando a realmente estar no comando. Como qualquer “monarca” cerimonial do século XX, temos medo do poder da cabeça aos pés, do Presidente ao camponês. Nas ruas, somos os melhores maridos. Nos lençóis, estamos longe de ser homens suficientes para nossas esposas. O poder só será servido pelo Deep State ou pela Catedral. O escárnio com que Washington obedece à administração Trump, quando realmente precisa, é o escárnio de uma mulher que quer o filho do marido — mas não o marido. Este é o “casamento” entre instituições e políticos.
Como essa armadilha funciona? Fundamentalmente, a classe alta se vê como uma classe subordinada, e a classe média se vê como uma classe dominante. O “progressismo” é a fé universalista da classe alta (com uma exceção ao universalismo para o tribalismo de seus próprios clientes). O “conservadorismo” é a ideologia da classe média. Os conservadores fracassam porque nunca conseguem ver que a América, na verdade, não é o país deles. Os liberais vencem porque nunca conseguem ver que a América, na verdade, é o país deles.
A lasca de deferência que o Estado administrativo concede a um Presidente ou candidato presidencial republicano — um delicado kabuki que remonta a Wendell Willkie — relevância suficiente para que ele se sinta genuinamente importante, mas não o bastante para causar danos sistêmicos, faz parte da engenharia cuidadosa do sistema político pós-Roosevelt.
Quanto mais genuinamente os republicanos, o Presidente ou o eleitor sentem que venceram, sem qualquer perspectiva real de vitória, mais fundo estão na armadilha. Estamos vencendo, e vencedores não podem ser rebeldes. Nossa Constituição está intacta, no final das contas. Precisamos preservar nossa Constituição ameaçada. Mas ao menos ainda a temos. Triste! Essas pessoas não têm nada. O bode de Judas já está conduzindo todos pela rampa.
Como são tão facilmente convencidos de que venceram, nossos conservadores são fracos e passivos na resistência. Como estão tão confiantes de que são os ousados azarões, os liberais esmagam essa resistência fraca com a energia heroica de um rebelde (muito sortudo).
Essa união entre energia rebelde e hegemonia universal e histórica é uma mistura aterradora. O mesmo padrão aparece do parque de trailers ao Salão Oval. Trump e sua administração, “no poder”, são os Atreides em Arrakis — inclusive nos assassinatos.
A energia que tornou o trumpismo possível é a energia da dissolução dessa ilusão — e dos conservadores se libertando do culto à Constituição. Dos ritos dos ancestrais, como diria um confucionista. Há mais de um pouco de Confúcio no conservador americano médio, com seu respeito pelas formas e processos antigos e sagrados do governo, considerados absolutamente corretos acima de qualquer crítica. Os ritos!
Mas na história há tempo de ser confucionista e um tempo de ser maquiavélico. O próprio Confúcio, que viveu em tempos nada simples, concordaria.
Maquiavel lhe dirá: nada resta dos ritos antigos. O altar já não é sagrado. Os velhos deuses partiram. O templo do Estado é uma armadilha — um covil de demônios e macacos. Seu sacrifício nem sequer é santo. É uma blasfêmia cruel.
Conservadores: sua esposa mal deixa você beijá-la há anos. Ainda assim, você continua pagando pelos abortos dela. Isso é um problema. Mas não é o problema. É um sintoma do problema. Sim, o casamento é sagrado. Alô, Terra chamando! Você não tem um casamento. Você tem um fetiche.
A SOLUÇÃO: UM PARTIDO POLÍTICO REAL
Como o presidente Milei, da Argentina, apontou: precisamos tomar todo o poder. Se não tivermos o poder, eles o terão.
Essa sempre foi a atitude de todas as mudanças de regime bem-sucedidas da história. Também é, cada vez mais, a atitude da “Direita jovem” nos anos 2020 — no mundo inteiro.
Mas o que essa atitude significa para a política prática? Antes de tudo: qual é o objetivo? Vamos supor que vencer de fato exija muito, muito mais poder do que até mesmo a segunda administração Trump, no seu início, colocou em jogo. De quanto poder realmente precisamos?
Se for necessário um exemplo retirado da vida de pessoas ainda vivas, aqui está um que foi longe demais (na minha opinião), mas é considerado totalmente legítimo (por todos): o Governo Militar Aliado na Alemanha, em 1945.
Alguns podem dizer que o processo de “desnazificação” fez demais ao apagar o regime anterior. Poucos hoje diriam que fez de menos. Comece copiando isso — depois reduza a intensidade, onde parecer seguro. Todos os planos e procedimentos antigos são fáceis de encontrar.
Mas como isso poderia acontecer? Como poderíamos gerar tanto poder? 1945 foi o resultado de uma guerra total e de uma invasão devastadora. A América não pode invadir a si mesma. Não pode sequer ter uma guerra civil — mas não porque todos tenham se tornado mais esclarecidos, e sim porque nenhum dos lados conseguiria se “levantar”. Se você acha isso reconfortante ou deprimente talvez dependa do seu próprio nível de testosterona. A energia política simplesmente não existe.
A energia não existe. Isto é, não existe espontaneamente. A fé na ação espontânea é a marca do conservador do fim do século XX. Deus cuidará disso, ou algo assim. A energia política não existe naturalmente. Isso não significa que ela não possa existir. Significa que precisa ser engendrada. Então, vamos engendrada-la.
A América precisa de um novo tipo de partido político, que na verdade é um tipo antigo de partido: um partido linha-dura. Um partido linha-dura é um partido projetado para assumir o controle incondicional do Estado. Um partido linha-dura é um partido no qual todos os membros delegam 100% de sua energia política ao comando do partido. Ingressar em um partido linha-dura é um casamento político, não um caso de uma noite na noite da eleição com qualquer político aleatório cujo nome num cartaz chame sua atenção.
Um partido linha-dura é uma organização privada legal cujo objetivo é se tornar o partido governante do próximo governo. Como o PCC na China. Seus eleitores elegerão esse governo. Seus quadros o ocuparão. Seus doadores sediarão seus jantares de Estado. Suas ideias se tornarão a ideologia oficial — a verdade oficial. E é melhor que sejam realmente verdadeiras.
Um Estado de partido único? Sim. Tentamos não ter um Estado de partido único. Acabamos com um Estado de partido único. Direito aos comissários de DEI em todos os escritórios, públicos ou privados.
Se esse experimento histórico não nos diz nada sobre ciência política, o que estamos fazendo aqui, afinal? A solução não é fingir que podemos ter outro tipo de Estado. A solução é fazer o que precisa ser feito — e fazê-lo bem.
Era um Estado de partido único que fingia não ser um Estado de partido único. Era um Estado de partido único — mas não como o PCC ou qualquer partido marxista-leninista do século XX, governado pelo princípio leninista do “centralismo democrático”. Ele era genuinamente descentralizado. Essa distinção categórica, embora não estivesse isenta de virtudes, também não estava isenta de vícios. No fim das contas, não resultou em uma sociedade mais aberta.
De todo modo, apenas algo pode vencer o nada. Um regime de partido único descentralizado, como aquele que hoje suportamos, não pode ser substituído por nenhum novo regime descentralizado — de partido único, bipartidário ou sem partido. Pelo menos, todas as tentativas de fazê-lo fracassaram, e não consigo ver nenhuma maneira de conseguir isso. Talvez eu seja um idiota. Não sei.
Consigo ver como fazê-lo com um partido centralizado, no entanto. “Centralismo Democrático”. Como disse Deng Xiaoping: pouco importa se o gato é preto ou branco, contanto que cace ratos. Tudo o que sabemos é que o gato que temos não caça ratos. Não parecemos capazes de treiná-lo para caçar ratos.
Talvez porque ele é um gato tão doce e especial. Talvez seja porque ele não seja, na verdade, um gato, mas um coelho. Talvez não precisemos de um gato especial. Talvez só precisemos de um gato comum. É uma constatação desanimadora, eu sei. Talvez até pudéssemos ter um gato comum, mas também manter um coelho? Talvez. Talvez estejamos cansados de encontrar fezes de rato nos nossos cereais. Talvez devêssemos simplesmente começar pelo gato?
(Eu sei inclusive que isso é possível no século XXI, porque existe um partido da “Direita jovem” que está fazendo isso, tanto quanto consigo perceber, com bastante sucesso — a Missão, no Brasil. Não que eles estejam seguindo algum plano meu. Eles apenas tiveram a mesma ideia óbvia. No momento em que escrevo, estão com 7% no Polymarket para 2026 — which is pretty cool.)
Um partido linha-dura do século XXI não pode ser a milícia paramilitar de rua dos anos 1930 dos tempos do seu avô. Enquanto os partidos linha-dura do início do século XX só conseguiam se coordenar com uniformes nas ruas, os partidos linha-dura do início do século XXI só conseguem se coordenar com pixels na tela. Novamente, há dois tipos de partidos linha-dura: físicos e virtuais. Em um partido linha-dura virtual, a única “ação direta” é o voto.
Embora eles tivessem usado nossas ferramentas se as tivessem tido, nós não podemos usar as deles. Simplesmente não somos fortes o bastante — e a primeira parte de vencer é conhecer seus limites. Eles eram muito mais amplamente capazes tanto de violência quanto de obediência do que nós somos. Somos o que somos, e política é a arte do possível. Um partido linha-dura do século XXI tomará o poder de forma legal, lícita e pacífica. Isso é o que é possível. Nada além disso é.
O que é possível são: aplicativos. Gostamos de aplicativos. Usamos aplicativos. O partido do futuro é: um aplicativo. O filiado portador de carteirinha do passado é o usuário ativo mensal do futuro.
Esses partidos linha-dura virtuais — ao menos para seus usuários — não são apenas aplicativos quaisquer. São aplicativos divertidos. São aplicativos de ARG: jogos de realidade aumentada. Um jogo de realidade aumentada significa: no mundo real, você realiza uma tarefa. No aplicativo, você ganha um distintivo. Pontos de experiência. Alguma coisa. Podemos, é claro, imaginar tarefas físicas — mas nenhuma delas é realista, exceto votar.
Todos os partidos políticos e/ou máquinas políticas são dispositivos para gerar votos (e realizar outras ações democráticas). O velho sistema da política de difusão em massa do século XX é… velho. As pessoas realmente estarão lendo o LA Times e assistindo à CBS News em 2050? O que é mais realista — isso, ou aplicativos de votação projetados para “obliterar” eleições no mundo real?
Por que as pessoas votam? Sempre há alguma motivação psicológica para votar. A: participar do processo de cidadania da nossa democracia, expressando uma preocupação sincera, bem informada e prudente com o bem-estar da república. B: disparar um tiro numa guerra civil fria, defendendo sua facção da república contra outra, seja de forma reativa ou proativa. Você é ou um microestadista, ou um microsoldado.
Quando a vida política de uma república é reduzida a B, a república está morta. A única questão é qual facção, organização ou partido prevalecerá de forma absoluta. Um partido linha-dura é o que você precisa quando finalmente abandona a ilusão de A, que é a ilusão da república morta — que não morreu ontem nem no ano passado. Ela morreu antes de seus pais nascerem. Não seja a macaca-mãe que carrega seu bebê morto para todo lado.
A realidade mais fundamental é esta: uma vez que você está em B, não há escolha. B é, na verdade, o único primeiro passo real em direção a A. Se eleições são uma coisa boa, o partido, uma vez vencedor, realizará suas próprias eleições. Se não forem, o partido não as realizará. Quem se importa se o gato é preto ou branco?
Quando percebemos que estamos em B, podemos avaliar corretamente a motivação emocional para votar. Votar é divertido e empolgante. Guerra também é. Votar é guerra simbólica. Também são divertidos e empolgantes: atacar uma tribo inimiga, pegá-los dormindo, massacrar seus combatentes e conduzir suas mulheres e crianças amarradas para suas novas vidas como escravas — carregando os restos de seus maridos e pais, já transformados em bifes para a festa. Como foi assim que o Homo sapiens viveu por milhões de anos, deve ser possível ativar os instintos motivacionais por trás desse comportamento, nem que seja apenas no seu iPhone.
Chimpanzés nem sequer praticam escravidão. A guerra dos chimpanzés é apenas genocídio de chimpanzés. Com bastante tortura de chimpanzés, embora nenhuma das duas seja conduzida de forma científica. Chimpanzés não falam, então não podemos saber se acham a guerra entre chimpanzés empolgante e, do lado vencedor, divertida. Mas certamente parece que sim. Aqui no Vale do Silício, sabemos como falar com o chimpanzé interior dos nossos clientes — geralmente sem qualquer guerra, tortura, escravidão ou genocídio. Portanto, é intrigante que estejamos tendo qualquer tipo de problema de engajamento.
A motivação emocional para votar é a expressão de poder. Como um partido linha-dura é de fato projetado para tomar o poder, ele pode oferecer muito mais dessa vibração de chimpanzé. Como é real, é muito mais divertido do que participar da política do século XX, que é falsa. Assim, pode gerar muito mais engajamento.
A experiência fundamental do usuário em um partido linha-dura é que ser membro não parece ser um líder. Parece ser um soldado. Isso também é divertido — apenas divertido de um jeito diferente. Essas formas de engajamento não devem ser confundidas.
Numa multidão, e num partido brando, todo mundo se sente um líder. Todos são convidados a contribuir com suas “opiniões” sobre os “problemas”. Quem se importa? Isso é uma “atividade de deslocamento”. Não é útil nem necessária para ninguém. Um exército é muito mais forte, homem por homem, do que uma multidão. Ser um membro de baixa patente de um partido linha-dura é como ser um soldado raso em um exército. O que também é divertido, especialmente se ninguém estiver atirando em você — mas de um jeito diferente. Isso também fornece uma metáfora útil para os distintivos do seu aplicativo.
Um partido linha-dura é uma organização privada — legal, clandestina, ou ambas — cujo objetivo é se tornar o partido governante do próximo governo. Como o PCC na China. Seus eleitores elegerão esse governo. Seus quadros o ocuparão. Seus doadores sediarão seus jantares. Suas ideias se tornarão a ideologia oficial — a verdade oficial.
Um Estado de partido único? Sim. Tentamos não ter um Estado de partido único. Acabamos com um Estado de partido único. Até os comissários de DEI em todas as organizações, públicas ou privadas. Era um Estado de partido único que fingia não ser um Estado de partido único.
Se esse experimento histórico não nos diz nada sobre ciência política, o que estamos fazendo aqui, afinal? A solução não é fingir que podemos ter outro tipo de Estado. A solução é fazer o que precisa ser feito e fazê-lo bem.
Esse novo Estado de partido único é um governo diferente. Seu primeiro passo será, de forma pacífica porém irreversível, eliminar o antigo regime — até que a tinta desapareça e o metal brilhe. Nada restará de qualquer instituição existente que tenha qualquer incentivo para continuar resistindo ao novo regime. Até mesmo os antigos prédios do governo deveriam ser demolidos, a menos que tenham valor histórico ou arquitetônico real. Como os Aliados em 1945 perceberam tão bem, a destruição simbólica é tão importante quanto a destruição estrutural.
Certamente há uma sobreposição funcional entre todos os governos. Em alguns casos, esse próximo regime pode reutilizar temporariamente as instalações, ou até contratar o pessoal, do antigo Estado administrativo. Mas sua autoridade será plena — reservando o direito incondicional de revisar todas as ações, decisões e promessas do antigo regime.
Você tem documentação do antigo regime? Ótimo. O que isso significa? Não sei, depende. Embora qualquer transição deva ser o mais ordenada possível, um partido duro não tem plataforma nem programa para qualquer reforma incremental do governo. Ele só pensa em (a) como capturar o poder pleno e (b) o que fazer com ele.
Poder pleno é a capacidade irrestrita de tomar decisões arbitrárias. Essas decisões não são limitadas por algum documento, banco de dados, organograma etc. emitido ou mantido pelo antigo regime — cuja anotação da sociedade agora é nula. O novo Estado também precisa “ver como um Estado” — mas precisa ver tudo novamente, do zero.
A unidade absoluta de ação é a única maneira de alcançar esse objetivo. Um partido linha-dura funciona porque é um laser, não uma lanterna. A diferença entre um laser e uma lanterna não é uma diferença de grau.
Todos em um partido linha-dura, membro, dirigente ou doador, delegam todo o seu poder político ao partido. Como membro, você vota conforme a orientação do partido em todas as eleições para as quais é elegível. Você não precisa prestar atenção a nomes, plataformas, ideias etc. Nem deveria. Quando você vota, ou age politicamente de qualquer outra forma, segue as diretivas do partido.
O resultado é que você faz muito menos trabalho político inútil do que deveria fazer como um “cidadão informado” — e tem um impacto político muito maior. Tudo o que você faz é instalar o aplicativo, conceder permissões de notificação e, quando houver uma eleição, simplesmente fazer o que ele manda. O jogo do voto é uma ferramenta militar — com cédulas em vez de balas.
Como dirigente, sua tarefa é servir ao partido por meio do seu trabalho. Seu primeiro dever é se destacar no que faz, seja o que for. Após a mudança de regime, como dirigente partidário, você já estará pré-qualificado para servir no novo regime. Isso torna grandes organizações muito mais fáceis de criar rapidamente. Também as torna mais fáceis de controlar — se você for expulso do partido, obviamente também perde seu cargo no governo.
Para se tornar dirigente, é preciso se candidatar. Você passa por uma prova. Passa por uma entrevista. Serve ao bel-prazer do partido. Aceitará qualquer tarefa ou posição que lhe for atribuída. Qualquer membro ou dirigente pode ser expulso a qualquer momento. A única coisa que muda quando se vence é que o partido passa a comandar o Estado e pode lhe oferecer um cargo em sua estrutura. Até lá, não largue seu emprego e esconda seu nível de poder. Dirigentes também pagam contribuições partidárias e realizam tarefas do partido.
Em qualquer grande empresa de elite ou outra organização privada — ou organização pública — haverá um quadro de dirigentes do partido. Esses dirigentes, ocultando suas identidades, organizam uma célula partidária clandestina dentro da organização. O objetivo dessa célula é ser tão excelente, e tão útil internamente, que acabe naturalmente assumindo o controle. Serem os melhores, afinal. Um passo crucial é alcançado quando o partido controla as contratações, e outro quando controla o RH em geral. Para formar células de verdade, os dirigentes precisam não apenas de ferramentas organizacionais como um aplicativo de coordenação de votos, mas de ferramentas reais de espionagem.
Após a transição, dirigentes podem ser designados para cargos no novo regime. Embora comecem sem experiência específica no tema, isso geralmente não é apenas aceitável, mas de fato ideal. Na maioria dos casos, uma ignorância competente e generalista é muito preferível à experiência especializada de domínio adquirida no antigo regime. Experiência em fazer a coisa errada é quase impossível de apagar da cabeça. Mesmo dirigentes leais que estavam infiltrados no antigo regime provavelmente deveriam trocar de departamento. Ainda que a função da agência corresponda 1:1 a uma agência antiga — algo improvável e, francamente, ótimo— é fácil extrair políticas e procedimentos da agência antiga com IA.
Como doador, você entrega dinheiro ao partido e recebe tokens em troca. Esses tokens são votos em um Soviete Supremo, ou algo assim. Você pode votar com eles se estiver em dia com seus impostos partidários. Que seriam 2% do que você paga ao governo. Ou algo do tipo.
Por fim, um partido político real fala com a própria voz e pensa com a própria mente. Se você consome notícias, recebe as notícias do partido. Se lê livros, o partido os escreve. Se usa IA, o partido treinou a sua própria IA. Se pesquisa coisas numa enciclopédia online, o partido tem sua própria bifurcação da Wikipédia. Se gosta de pensar sobre história, seu partido diz quais livros de história você deve ler. Se gosta de filmes, todos os melhores roteiristas e diretores estão no partido — por um bom motivo, já que ele pode muito bem financiar suas produções. Se você tem filhos e está em posição de gerir a educação deles, o partido tem um programa para isso — vários, na verdade, dependendo da religião.
E, claro, um partido real tem uma doutrina partidária. Muito antes de tomar o poder, ele sabe exatamente o que fará com o poder. Essa doutrina não é a opinião coletiva dos membros do partido — é um documento escrito pela liderança do partido. O resumo é público. O plano propriamente dito é privado. Depois de implementado, pode ser divulgado.
Para que serve um partido real? Vamos analisá-lo em duas etapas do seu ciclo de vida: antes de tomar o poder e depois de tomar o poder.
TOMANDO O PODER: SEM UM PARTIDO LINHA-DURA
Imagine que você é o Presidente. Mas não tem um partido linha-dura.
Sem um partido linha-dura, você não tem nem as ferramentas necessárias para capturar o poder político, nem as ferramentas para usá-lo.
Sem um partido linha-dura, você não tem um corpo de quadros. Assim, enfrenta enormes limitações para compor um novo regime. Se os candidatos a cargos não são examinados quanto à lealdade, sua administração fica cheia de cobras. Se são examinados quanto à lealdade, o processo se torna um gargalo enorme, cheio de politicagem interna e estranhos falsos negativos. Você sequer tem a opção de substituir o antigo governo — não tem pessoal para isso. Tudo o que pode fazer é preencher os cargos do seu “Plum Book”, e mesmo isso leva mais de um ano. A resposta é simples: esse trabalho deveria ter sido feito há muito tempo.
Sem um partido linha-dura, você não consegue sequer pensar em controlar outros políticos. Sua influência sobre o seu próprio partido no Congresso é muito fraca. Você não consegue substituir nem mesmo ameaçar senadores ou deputados veteranos. Eles sempre têm a infraestrutura necessária para vencer suas prévias. Concorrer ao Congresso é, no fundo, algo artesanal. Candidatos às prévias precisam surgir do nada e construir sua própria infraestrutura.
O engajamento real e apaixonado dos eleitores é desprezível até mesmo em eleições para o Senado. É tudo gasto com placas de jardim e mais alguns soundbites. Qualquer um com pulso pode se chamar de “republicano”. Se você fala mal dele à imprensa, a imprensa perceberá uma fissura e dará boa cobertura ao “independente”. Tudo isso é exaustivo.
Você não tem as ferramentas para capturar poder político porque seus apoiadores não estão delegando seu poder de forma eficiente ao centro. Seu eleitorado é uma multidão, não um exército. Na medida em que se importam, se importam em se sentir individualmente importantes, não coletivamente eficazes. Toda a experiência da política de multidão virtual que é a democracia hoje é 5% realidade e 95% entretenimento político — estimulando inutilmente o instinto humano de poder, de um modo que lembra tanto esportes de espectadores quanto pornografia literal.
Assim, seus apoiadores, mesmo os mais apaixonados, raramente votam nas midterms e quase nunca nas prévias. Mesmo quando votam, não entendem por que deveriam se concentrar na lealdade, e não na “qualidade do candidato”. Na verdade, você nem sequer lhes disse que eles precisam lhe dar mais poder — quanto mais dizer como fazê-lo.
Sem um partido linha-dura, em um país governado pela mídia, você não tem nenhuma infraestrutura própria de comunicação — depende do seu inimigo para alcançar seus apoiadores. Que absurdo. Você pode até ter empresas de mídia simpáticas. Mas não tem como controlar sua confiabilidade ou qualidade. Elas podem e irão misturar sua propaganda com lixo absoluto, o que afastará muitos dos seus apoiadores potenciais mais valiosos, especialmente nas classes sociais mais altas. Não há absolutamente nenhuma solução para esse problema.
TOMANDO O PODER: COM UM PARTIDO LINHA-DURA
Com um partido linha-dura, a democracia não é pornografia. Os eleitores podem realmente tomar o poder.
Imagine que você de fato tem um partido. Suponha que ele tenha 15 milhões de membros leais. Suponha que os membros do partido sejam votos confiáveis em toda eleição — federal, estadual, local, tribal — gerais e primárias. Não é um partido grande o bastante para tomar o poder diretamente. Ele não consegue vencer eleições sozinho. No entanto, é grande o suficiente para representar um poder significativo. Vejamos como esse poder pode funcionar.
Em toda eleição, o partido apoia exatamente um candidato. Todos os membros do partido votam automaticamente nesse candidato. Ponto. Isso é verificado — se você ao menos não for ao local de votação e não der ao aplicativo sua localização (sem falar em tirar uma foto da cédula), não ganha o selo de eleitor. Seus novos amigos do partido vão perceber e estranhar. Você pode até ser expulso. O que você estava pensando? Não faz o menor sentido.
Resultado: mesmo quando o partido é 10% dos eleitores registrados, ele representa um dos blocos de votação mais significativos em qualquer distrito. Talvez comparável aos poloneses em Chicago. (Gays também fizeram isso na San Francisco dos anos 1970.) E, como o partido tem disciplina partidária, esse bloco oscila de forma perfeitamente coordenada. O segredo da ciência política democrática é: solidariedade coletiva rende MUITO.
Em toda eleição, o partido usa seus próprios processos decisórios para orientar as ações de seus próprios eleitores. Se quisesse realizar uma “primária” interna, poderia. Mas isso seria estúpido. Em todo caso, essas ações incluem o registro partidário.
Se o partido achar que pode ter impacto mais positivo, em determinado distrito, nas primárias democratas em vez das republicanas, seus membros receberão a ordem de se registrar como democratas. Por que não? “Democratas” e “Republicanos” não são partidos reais — partidos linha-dura. São apenas rótulos. Quem se importa com rótulos? O que importa é vencer.
Em 2025, os somalis tinham poder eleitoral para eleger um prefeito somali em Minneapolis. Mas o voto foi dividido entre as tribos Darood e Hawiye. Como os Hawiye prefeririam servir a um judeu a um Darood — adivinhe qual tribo venceu? Se todos os somalis tivessem realizado uma eleição somali e depois votado no vencedor somali — Minneapolis talvez estivesse a caminho de, sei lá, sharia agora mesmo.
Esse nível de filiação a um partido linha-dura não garante vitórias previsíveis em eleições nacionais. Não permite que o Presidente literalmente selecione seu próprio Congresso e lhes ordene que carimbem sua agenda. Pode ser suficiente para alcançar o mesmo resultado, porém, se for administrado com habilidade. De todo modo, aqui no Vale do Silício, crescer de 15 milhões para 50 milhões de usuários nunca foi o problema mais difícil.
Com 50 milhões de membros, o Presidente pode vencer quase todas as eleições para o Congresso ainda na fase das primárias. Uma vez que vence a eleição nacional, não precisa brincar de decretos executivos. Pode escrever a legislação numa quinta-feira e vê-la aprovada na terça-feira seguinte. Pode empacotar a Suprema Corte. Pode ganhar o jogo — não para sempre, mas por uma geração. Pode, de fato, tornar a América grande novamente.
Suponha que você tenha 50 milhões de membros, mas não seja o Presidente? Não importa. Você pode fazer qualquer um virar Presidente. Nem precisa ser um cargo de verdade. Ele fará o que você mandar. Não tem escolha. A URSS, de fato, tinha um Presidente decorativo. Quanto ao seu Congresso, ele será como o Soviete Supremo ou o Parlamento Europeu: uma conversa sem sentido entre nulidades. No Capitólio, todo o partido terá uma única equipe. Cada deputado ou senador votará com o partido, sempre.
Além disso, com 50 milhões de usuários, não há necessidade de depender de candidatos ao Congresso, estaduais ou locais que apareçam espontaneamente. Eles não se recrutam sozinhos. São escalados, como a AOC — e quanto menos experiência política, melhor. Como deputados do baixo clero no Reino Unido, eles estão ali apenas porque o cargo exige um rosto e um nome. Deve ser um rosto bonito e um nome razoavelmente imaculado.
O candidato vencedor não é um “estadista” nem um “legislador” em qualquer sentido — é apenas um indicado de papel — portanto, qualquer um preocupado com “qualidade do candidato” está te enrolando. Já que é assim que as coisas são de qualquer maneira, por que não trabalhar com a realidade?
TOMANDO O PODER: A EXPERIÊNCIA DE USUÁRIO
Mas os americanos realmente topariam isso? Não sei, mas—
Como a política é a arte do possível, profissionais políticos de verdade operam no mínimo do engajamento. As pessoas ainda se importam com a eleição principal — a Presidência. A ideia de eleitores do século XXI que ainda mantêm um apego emocional às lutas secundárias — Congresso, política estadual etc. — é cada vez mais implausível.
A ideia de passar disso para algum tipo de partido de centralismo democrático comunista-fascista dos anos 1930, com camisas negras, marchas à luz de tochas, esquadrões da morte e juramentos ao líder é, admito, cômica. Mal conseguimos fazer nossos apoiadores mais ferrenhos votarem nas midterms. Muito menos simplesmente dizer a eles em quem votar! Parece fora do alcance das técnicas normais de engajamento político. 100% da sua energia política? Impossível!
Do ponto de vista do Vale do Silício, as técnicas de engajamento republicanas estão no nível de spam ou bait. Tudo está no nível de bagas de goji e “os médicos odeiam este truque estranho”. Quando suas ideias aparecem ao lado desses anúncios, você sabe que se ferrou.
Isso é óbvio para todo mundo. Também é óbvio para qualquer pessoa inteligente que não há saída para essa armadilha. Mas todo mundo está errado.
Um partido linha-dura funciona porque um partido linha-dura é, na verdade, divertido. As marchas à luz de tochas também eram divertidas! Um partido linha-dura é um jogo. As ideologias do século XX também eram. Você acha que não era divertido ser um nazista? Um bolchevique? Ou acha que é tão divertido assim ser um republicano? As pessoas fazem qualquer coisa — até votar — basta transformar isso num jogo. Votar em republicanos é tão divertido quanto uma pizza de papelão. Um partido linha-dura é divertido porque é real. Não é algo em que você só consegue enganar boomers.
Nos anos 1930, não havia internet. Havia apenas a rua. Sua camisa era seu uniforme. Muitas vezes, sua pele era seu uniforme. Os desfiles fascistas ou comunistas à luz de tochas ainda eram um jogo — mas a rua era o único lugar para jogar esse jogo.
Nos anos 2020, as ruas estão vazias. Estamos todos dentro de casa, nos nossos celulares. Precisamos de uma maquinaria política pensada para o agora, não para 1930 nem mesmo para 1960. O sistema político do século XX é um epifenômeno do complexo mídia-educação do século XX.
Durante a maior parte do século XXI, será inconcebível esperar que alguém vote em você se não tiver o seu aplicativo no celular. Um eleitor é um usuário. Um usuário é qualquer pessoa que você consegue notificar de forma confiável. Se você consegue fazer o telefone dela apitar ou vibrar, ela é um usuário.
Por que algum apoiador não seria um usuário? 75 milhões de “apoiadores” que, ainda assim, não apoiam você o suficiente para deixar que você lhes diga o que fazer? Mesmo politicamente? (Isso não é nem de longe a mesma coisa que ter 75 milhões de “seguidores” no Twitter, com um algoritmo entre você e eles. Um tweet não consegue transmitir o nível necessário de compromisso e urgência — nem spam por SMS. Sua lista de e-mails não é uma base de usuários.)
No dia da eleição — qualquer eleição, em qualquer lugar da América — o celular de todo mundo vai vibrar. O telefone de todo mundo vai olhar a localização e o calendário e dizer onde, quando e como votar. Eles irão à cabine de votação. Farão o papel se parecer com a tela. Tirarão uma foto do papel. Receberão um distintivo no aplicativo. (Votos pelo correio também podem ser usados, se ainda existirem — mas isso, anyway, é menos divertido.)
Isso é mais fácil, não mais difícil, do que o que eles têm de fazer hoje! O simples ato do voto mecânico, que é muito mais poderoso do que o voto independente anterior, os libera permanentemente de todas as outras responsabilidades cívicas.
Eles não precisam acompanhar as “notícias”. Não precisam ler sobre as “questões”. Não precisam saber nada sobre os “candidatos”. Votar não é algum exercício demorado e estressante, ao estilo Norman Rockwell, de escolhas morais profundas. Eles fizeram um grande voto: entrar no partido. O ato concreto de preencher cédulas é apenas entrada de dados.
Eventualmente, eles serão dispensados até mesmo dessa responsabilidade. O partido simplesmente fará o upload do seu banco de dados de membros para o servidor eleitoral. Nada poderia ser mais fácil. A experiência definitiva do eleitor no século XXI: você vota uma vez, por um partido ou líder, de forma permanente e transitiva.
Sim: transitiva. Uma vez que você escolheu Trump como seu líder, em toda eleição para a qual for elegível, você automaticamente vota em Trump. Se o próprio Trump não estiver interessado em ser o próximo chefe do controle animal do condado de Volusia — ele deve conhecer alguém que seria ótimo para o cargo. Você vota automaticamente nessa pessoa. Você nunca precisa nem aprender o nome dela — muito menos seu currículo, caráter moral, histórico em controle animal, etc.
O que você faria com essa informação? Conferir se Trump fez uma boa escolha? Seu compromisso com Sua Trumpidade é permanente. Até você mudar de ideia, claro. Você pode se registrar de novo como um crente fanático em Gavin Newsom. Tanto faz.
Mas o princípio fundamental é: quanto menos você pode mudar de ideia, mais poderoso é o seu voto. Repito: quanto menos você pode mudar de ideia, mais poderoso é o seu voto — porque mais poder o seu voto está entregando. Usar seu poder político numa democracia representativa significa delegá-lo a um representante. Quanto menos condicional, incerta ou dividida for essa delegação, mais poderoso é o seu apoio.
Esse teorema, embora óbvio, é tão contraintuitivo que é difícil pensar muito nele. Pense no voto como uma flecha: se você dispara a flecha, você perde a flecha. Quando você fica pensando em “qualidade do candidato”, você está esfaqueando com flechas. Se quiser criar poder coletivo, atire — e deixe a flecha atirada. É verdade: quando você delega poder, você o entrega, o que significa que não o tem mais. Vote para ser poderoso — não para se sentir poderoso. Esse é o grande segredo.
As pessoas erram nisso facilmente porque estão preocupadas com sua luta política contra o outro partido, e não com a luta da própria política (democracia) contra a sociedade civil (oligarquia). Ter mais eleições fortalece o controle dos eleitores sobre os políticos. Mas enfraquece o controle dos políticos sobre o governo. O segundo efeito facilmente domina o primeiro. É também por isso que “limites de mandato” não funcionam para o populismo.
Se o poder dos representantes é fixo e absoluto, não há como diminuí-lo. Mas se os políticos eleitos estão competindo com alguma outra força, o poder da própria política — isto é, o poder da própria democracia — fica seriamente em questão. E não é essa, hoje em dia, a única questão que importa — democracia versus oligarquia?
“Uma república, se você conseguir mantê-la”, disse Franklin. Hoje é — uma república, se você conseguir recuperá-la. E, embora você talvez consiga reunir forças por um instante para recuperá-la, você não tem nem de perto força suficiente para mantê-la. Não — você tem que recuperá-la e, em seguida, entregá-la imediatamente. A um Estado de partido único que terá força para mantê-la.
Isso pode soar implausível. É implausível. Mas não é impossível. Nada mais é possível. Essas são as equações. Eu não as inventei. Apenas as encontrei. Se você encontrar algum erro, me avise. Essas equações de fato preveem que o que estamos tentando agora não vai funcionar — o que agora parece evidente.
Nem mesmo o presidente Trump tem algo parecido com os poderes de um verdadeiro CEO — mas imagine quão pouco poder ele teria se precisasse ser eleito todos os dias. As pesquisas de opinião já são ruins o bastante. E, obviamente, se o presidente pudesse ser eleito para a vida toda, ele seria muito mais poderoso. Se os eleitores americanos não podem ser confiáveis com o poder de eleger um presidente vitalício, um novo FDR, com que poder eles podem ser confiados? Não muito, eu suponho.
Já vai ser difícil o suficiente tornar a América grande novamente. Com os poderes que ele tem, dentro do sistema atual, é como pedir ao presidente Trump que construa a Trump Tower com brinquedos de areia de criança. Embora Trump seja mais um líder do que um construtor, Elon Musk dificilmente faria melhor. Ele também não construiu a Starship com brinquedos de areia.
A maioria dos comentaristas conservadores instintivamente tenta deixar seu público mais irritado. Esse é o incentivo deles: carne vermelha para a audiência. É assim que se cresce uma audiência. Mas deixar as pessoas mais irritadas não funciona. Isso não aumenta a quantidade de poder que todas essas pessoas projetam em direção a Washington. Não aprofunda a delegação de poder. Talvez as torne um pouco mais propensas a votar. Mas isso é um resultado binário. A retórica da democracia sugere constantemente que pessoas irritadas poderiam tomar ações além do voto, como fariam na América do século XVIII ou XIX. Spoiler: não vão.
Os americanos não precisam estar mais irritados. Já há raiva suficiente. De fato, teria chocado qualquer comentarista do século XIX, ou mesmo a maioria dos do século XX, ver como os eleitores do século XXI toleram e até admiram governos e ideologias claramente e explicitamente hostis aos seus próprios interesses de longo prazo — e até de curto prazo. (Para os esquerdistas, inclusive, é uma gafe moral votar de acordo com os próprios interesses.)
Para projetar mais poder em direção a Washington, os americanos só precisam estar mais organizados. Eles só precisam de máquinas políticas mais eficazes. Em vez disso, ainda conduzimos nossa política como se todos estivessem assistindo ao jornal da noite e recebessem o jornal impresso jogado na porta pelo filho do vizinho andando de bicicleta. Fazer LARP desse mundo não o trará de volta.
O que o trará de volta é isto: ser mais eficaz coletivamente do que nossos inimigos. O primeiro passo é entender quem eles são e como estão organizados. Embora nunca venhamos a operar da mesma forma que eles, precisamos compreender as capacidades da Esquerda e igualá-las.
TOMANDO O PODER: A OPOSIÇÃO
Essencialmente, a Esquerda americana é um partido linha-dura, e sempre foi — ao longo da vida de todos os que hoje estão vivos. Ela não tem um aplicativo de votação, mas não precisa de um.
Provavelmente, em 2020, os libs não hackearam as urnas eletrônicas. Mas, se pudessem (e se pudessem sair impunes), teriam feito. Em geral, eles escapam, e continuam escapando, de tudo o que conseguem, e tudo é estruturado para que escapem de tudo o que conseguem. Não há impedimentos morais a essa tendência, que nem sequer é consciente.
Porque a Esquerda americana, de Bill Clinton a Bill Ayers, é uma coisa só — e o esquerdismo americano, embora não seja de forma alguma organizado centralmente, comporta-se como um partido linha-dura, porque todas as suas crenças centrais evoluíram para maximizar poder — ela não tem crenças fundamentais. Tem apenas uma meta-crença: poder. É assim que ela consegue praticar o “nenhum inimigo à esquerda”.
O que a coordenação descentralizada da Esquerda consegue realizar? Ninguém que tenha vivido 2020 pode esquecer a diferença entre 1º de fevereiro — quando a colmeia zombava da obsessão xenófoba marginal do QAnon com o “Kung Flu” e nos lembrava de que, segundo a ciência, a gripe comum era o verdadeiro perigo — e 1º de março, quando de repente estávamos em um filme de Michael Crichton e precisávamos preservar nossos preciosos fluidos corporais. Aquilo foi algo, não foi? E a transição foi — mal reconhecida. Estranha. Na época. Mas é ainda mais estranha em retrospecto.
E a coisa mais estranha: o que criou essa mudança não foi nenhum evento da pandemia. Foi uma decisão inesperada do mercurial Donald Trump. Ele surgiu, inesperadamente, como uma pomba da Covid. Então a Esquerda teve de se tornar falcão da Covid — o que todos fizeram. Instantaneamente! (Apenas a Suécia desafiou a virada — e teve os melhores resultados.)
Todos viraram a chave de uma hora para outra, como se estivessem sob algum tipo de controle sem fio. Como se houvesse um chip. Em seus cérebros. Como se fossem abelhas. Uma inteligência descentralizada assustadora, desumana. Antes disso, eu achava que o final de 1984 era irrealista.
A “hive mind” é algo real. A Esquerda consegue agir com uma unanimidade descentralizada insana, normalmente vista apenas no reino dos insetos. A “mente de colmeia” é algo real. A política de colmeia tem uma flexibilidade preênsil que nenhuma mente sincera consegue processar. Ela pode ser nacionalista de sangue e solo aqui, e globalista Disney ali. Moralmente niilista em seu núcleo, fará qualquer coisa que puder fazer sem ser punida. A justiça está sempre do seu lado. É por isso que todos os esquerdistas, por mais moderados que sejam, têm “nenhum inimigo à Esquerda” — não que nunca joguem um camarada debaixo do ônibus, mas isso é sempre algo pessoal.
(Essa atitude se estende até os picos mais prestigiosos do “centro-Direita” — considere o distinto pensador conservador Robert George, de Princeton, e ex-Heritage. Enquanto Tucker Carlson é demais para a consciência requintada do professor George, ele se orgulha de ser fotografado com Cornel West. Okay.)
Qual é o papel dos intelectuais nessa situação? É explicar a todos que a única tarefa da Direita americana, ou da Direita em qualquer país ocidental no início do século XXI, é a captura unilateral, incondicional e permanente do Estado para um regime completamente novo. Qualquer vitória diferente disso, a menos que seja um passo tático dentro de um plano estratégico para alcançar esse objetivo, é na verdade uma derrota e muito provavelmente um desastre. E, como não conseguimos automaticamente fazer essa coordenação inconsciente de hive mind, precisamos de mecanismos reais, eficazes e bem projetados de coordenação.
Eles têm uma linha partidária! Há muito tempo, ela era centralizada. Agora é descentralizada. Como o conservadorismo descentralizado não funciona, precisamos de uma linha partidária centralizada.
A captura incondicional do Estado não pode ser alcançada pelos mesmos mecanismos da participação constitucional. Como normiecon, você pensa em Washington como sua sogra narcisista, impossível, insuportável e também alcoólatra. Se você não tem escolha senão lidar com essa pessoa, seu trabalho é conduzi-la à razão e talvez até à sobriedade. Algum tipo de intervenção. Mas ela é família e você tem de respeitar isso.
Embora essa seja uma atitude razoável nessa situação, ela não é a situação real. A situação real é a seguinte: sua verdadeira sogra morreu nos anos 1990. O que você está chamando de “Doris” é um vampiro egípcio de 6.200 anos — nome verdadeiro: Khemon-Ra.
Você não pode, como imagina, “fazer uma intervenção” com Khemon-Ra. “Ela” não é uma “narcisista” nem sequer uma “alcoólatra” — é apenas um vampiro calcolítico básico. Você precisa cravar uma estaca de madeira em seu coração e fazê-la sair pelas escápulas. Durante esse processo, pode ser mais difícil contê-la do que você imagina. Chame os amigos que você chamaria se estivesse de mudança. Peça que vistam o que vestiriam se estivessem ajudando a pintar a cozinha.
O poder político segue uma fórmula simples: e = mc². Energia é massa (número de apoiadores), vezes compromisso (o que eles estão dispostos a fazer — votar? doar? pegar em armas? vestir um colete suicida?), vezes coesão (o quão organizados eles são). Precisamos maximizar esse número, E.
No século XXI, o compromisso está quase morto. Não podemos lutar contra essa tendência. Para vencê-la, precisamos ser melhores do que nunca em coesão. Não precisamos estar mais furiosos. Só precisamos estar mais organizados.
Mas, para nos organizarmos, precisamos viver e operar na realidade política do século XXI — não em alguma fantasia fingida do século XVIII (que estadistas reais do século XVIII, se pudessem ver, achariam tudo risível).
E precisamos parar de pensar que política é sobre qualquer coisa que não seja maximização de poder. Quando nossos inimigos nos acusam de pensar assim, eles estão ao mesmo tempo “projetando” e tentando nos impedir de fazer exatamente isso.
Precisamos fazê-lo — e fazê-lo melhor. O que faremos não parecerá com o que eles fazem, porque somos diferentes. Mas os princípios da engenharia política são atemporais e objetivos.
O PARTIDO LINHA-DURA: NO PODER
Até vencermos, o único objetivo é vencer. Esse é um elemento crucial da política. Qual é o momento certo para tomar o poder pleno? Assim que for possível — e nunca antes.
Estou convencido de que Trump poderia, teoricamente, ter feito qualquer coisa na semana seguinte à sua segunda posse. Ele não tinha nem um plano nem a infraestrutura humana para executá-la. Mas, se tivesse? Acho que ele poderia ter agido de forma arbitrária sem encontrar resistência alguma, com base numa teoria perfeitamente legítima de soberania coigual entre os poderes — simplesmente por causa da fraqueza da oposição. Como apontou Napoleão, é importante concentrar toda a energia no ponto e no momento decisivos.
Mas, sem dúvida, o controle simultâneo dos poderes Legislativo e Executivo é o padrão-ouro de uma mudança de regime legítima no sistema constitucional americano. Com 50 senadores e a Casa Branca, você pode nomear quantos ministros da Suprema Corte quiser. Fim de jogo. Portanto, esse é o alvo a ser mirado.
Assim que seu poder se torna plenário, o partido age rapidamente para assumir o controle incondicional das antigas instituições cívicas. Seu objetivo é desligar o velho governo e colocar um novo em funcionamento, com o mínimo de sobreposição estrutural e a mínima interrupção dos serviços.
Isso não significa preencher cargos “políticos” — exceto por razões legais. (Questões legais são sempre uma questão de “botas no chão” jurídicas.) Quer essas nomeações precisem ou não ser feitas ou confirmadas, nada deve impedir o fluxo concreto da transição.
Durante a transição, o novo Estado tem seis tarefas principais.
Primeiro: preservar todos os pontos essenciais de prestação de serviços.
Segundo: centralizar todos os recursos do Poder Executivo e os sistemas de pagamento.
Terceiro: federalizar todas as organizações confiadas, capacitadas ou subsidiadas pelo Estado.
Quarto: federalizar todo o sistema financeiro, liquidando todos em dólares.
Quinto: federalizar todos os governos estaduais, locais e tribais.
Sexto: identificar biometricamente todos os seres humanos no país.
Essas medidas dão a qualquer novo regime soberania moderna completa. Embora esse nível de centralização incondicional não seja necessariamente o objetivo final de um novo regime, ele é necessário em qualquer processo de transição. Qualquer tipo de autoridade instável, dividida ou limitada é extremamente perigosa até que toda a operação esteja concluída.
Essas medidas eliminam todas as instabilidades e colocam o novo regime completamente no controle do Estado e do país, ao mesmo tempo em que permitem que a vida continue mais ou menos como de costume no curto prazo. No longo prazo, e até no médio, tudo terá de mudar drasticamente, na direção da sanidade; mas, no curto prazo, ninguém deve receber qualquer motivo racional para entrar em pânico. Eles já terão motivos irracionais suficientes.
Mais importante: a menos que faça parte de um caminho político realista rumo a um plano dessa escala, a autoridade parcial é uma tentação política que deve ser resistida. Teóricos dos jogos conhecem a definição de um bom movimento. Um bom movimento é aquele que torna todos os movimentos futuros mais fáceis. Cada ação no caminho para o poder deve tornar o restante desse caminho mais plausível.
Mudança de regime não é açougue. É cirurgia. O paciente precisa estar anestesiado ou amarrado. Em 1945, na Alemanha, o paciente estava amarrado — contido por violência esmagadora. Não temos essa opção, então precisamos de anestesia.
Anestesia significa eliminar todas as saídas para resistência estrutural. No poder, como em tantas outras coisas, a oportunidade cria energia. Quanto mais morto fica um velho regime, menos apoio ele tem — porque a grande maioria de seu “apoio” não era apoio, mas mera ambição. Quando a árvore cai, as trepadeiras desabam. Nada cheira pior do que um regime morto.
O apoio ao Nacional-Socialismo na Alemanha, depois de junho de 1945, ficou restrito a uma minoria pequena e inofensiva. A necrofilia histórica nunca será mais do que um fetiche de nicho — e os recém mortos são os mais repulsivos. Quanto mais irreversível for a demolição do antigo regime, menos ele pode resistir ou retornar. Qualquer apagamento incompleto das antigas estruturas de poder é uma saída para resistência estrutural.
O paciente, politicamente adormecido, não precisa ser amarrado à mesa de cirurgia. O cirurgião, empenhado em fazer o máximo de bem com o mínimo de dano, pode agir com rapidez sem precipitação, sem se preocupar com como o bisturi “se sente”. O consentimento é durável: não há como revogá-lo de imediato. Não há como o paciente tentar sair da mesa com o fígado pela metade.
Se centros de resistência potencial não forem imediatamente eliminados do mapa, eles criam sua própria energia e se tornam centros de resistência real. Uma mudança de regime à Direita precisa “limpar a mesa” desde a primeira jogada. Como sistema entrópico, o tempo não joga a seu favor.
A entropia é naturalmente gradual e/ou autossustentável: revolução rápida ou subversão lenta. A extropia é o oposto. Uma mudança de regime à Direita é um pico de energia política que cruza um limiar e faz o sistema saltar para um novo estado estável benigno.
Esse pico exige mais energia do que muitos imaginam, mas precisa ser sustentado apenas por um momento. E essa energia não é violência caótica e inconsistente — é força pacífica e irresistível. Ela desenvolverá rapidamente a sua própria estabilidade — mas apenas se for irresistível. Precisa demonstrar esse caráter irresistível em todas as áreas da vida.
Quem faz todo esse trabalho de reorganização, e como? Como manter o governo funcionando enquanto o reestruturamos completamente? Como é essa transformação, operacionalmente? É um tema grande — difícil fazer jus a ele num pequeno post do Substack. Mas…
De modo geral, a maquinaria do velho Estado pode e deve ser operada externamente, a partir de seus sistemas e documentos. Em geral, não é necessário inserir pessoas nos escritórios existentes, nem mesmo novos usuários nos sistemas de computador já existentes. Idealmente, os sistemas de TI existentes podem ser congelados e usados apenas como recurso. A exceção são os pontos essenciais de prestação de serviços — que precisam ser extraídos da carcaça do antigo regime.
O novo Estado não deve ser operado a partir da antiga capital. Deve ser operado a partir de uma instalação militar fechada — sob regras aproximadamente iguais às de Los Alamos em tempo de guerra. A equipe vive no local, sem sequer acesso à internet pública. Toda a base é uma SCIF. Funcionários com famílias levam suas famílias. Todos os funcionários devem ser oficiais do partido — embora seja fácil imaginar um caminho acelerado de ingresso para especialistas essenciais.
ARTIGO ORIGINAL:




parabéns daisen, eu e mais 2 caras tentamos traduzir esse texto mas vc sozinho foi mais rápido, se quiser ajudar a gnt a traduzir outros textos do yarvin iria ser legal